11 de mar de 2008

FAMÍLIA



Conceito de família

A família representa um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições. É um grupo de pessoas, ou um número de grupos domésticos ligados por descendência (demonstrada ou estipulada) a partir de um ancestral comum, matrimônio ou adoção. Nesse sentido o termo confunde-se com clã (tribo). Dentro de uma família existe sempre algum grau de parentesco. Membros de uma família costumam compartilhar do mesmo sobrenome, herdado dos ascendentes diretos. A família é unida por múltiplos laços capazes de manter os membros moralmente, materialmente e reciprocamente durante uma vida e durante as gerações.
Podemos então, definir família como um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema, que opera através de padrões transacionais. Assim, no interior da família, os indivíduos podem constituir subsistemas, podendo estes ser formados pela geração, sexo, interesse e/ ou função, havendo diferentes níveis de poder, e onde os comportamentos de um membro afetam e influenciam os outros membros.

Função social da Família

Segundo Minuchin, 1990, diz que: As funções das famílias regem-se por dois objetivos , sendo um de nível interno como a proteção psicosocial dos membros e outro de nível externo, como a acomodação de uma cultura e sua transmissão. A família deve então responder as mudanças externas e internas de modo a atender as novas circunstâncias sem, no entanto, perder a continuidade, proporcionando sempre um esquema de referencia para os membros .

Já Duvall e Miller (cit. Por Idem) diz que: A família é geradora de afeto, proporcionadora de segurança e aceitação pessoal, promovendo um desenvolvimento natural e pessoal através de atividades que satisfazem os membros da família, asseguradora de continuidade das relações. Proporcionando relações duradouras entre os familiares. Impositora de autoridade e de sentimentos do que é correto, relacionando com a aprendizagem das regras as normas, direitos e obrigações características da sociedade humana.
Stanhope (1999) acrescenta uma função relativa a saúde, na medida em que a família protege a saúde de seus membros, dando apoio e resposta às necessidades básicas em situações de doença.
Serra (1999): a família tem uma função primordial, a de proteção, tendo sobretudo potencialidades para dar apoio emocional para a resolução de problemas e conflitos, podendo formar uma barreira defensiva contra agressões externas.
Fallon (et al) (cit. Por Idem) reforça ainda que a família ajuda a manter a saúde física e mental do indivíduo, por constituir o maior recurso natural para lidar com situações potenciadoras de stress associadas a vida na comunidade.

Com estes elementos introdutórios já estamos em condições de formular uma definição de, de cunho operativo, para os propósitos aqui presentes:
“Família é urna unidade grupal, onde se desenvolvem três tipos de relações pessoais - aliança (casa!), filiação (pais/filhos) e consangüinidade (irmãos) — e que a partir dos objetivos genéricos de preservar a espécie, nutrir e proteger a descendência e fornecer-lhe condições para a aquisição de suas identidades pessoais desenvolveu através dos tempos funções diversificadas de transmissão de valores éticos, estéticos, religiosos e culturais”.

Tipos de Família

A sabedoria popular costuma dizer que o tempo cura tudo. O tempo cura e também muda as coisas. Maneiras de ver o mundo, rituais, leis etc. O conceito de família, por exemplo, mudou com o tempo.

Tanto que, no Código de Direito Civil, vários artigos caíram em desuso, tendo sido criadas novas leis, em forma de emenda, que alteraram profundamente o seu conteúdo.

Algumas das alterações dizem respeito à família. Vejamos:

No novo conceito de família, são consideradas famílias os grupos formados não só pelo casamento civil ou religioso, mas também pela união estável de homem e mulher ou por comunidade dirigida somente por um homem ou por uma mulher (mãe solteira, no caso). Antes, uma união que não fosse formada pelo casamento formal era considerada "família ilegítima". Da mesma maneira, "filho ilegítimo" é uma expressão que não cabe mais em nossa sociedade.
Naturalmente que o novo não pode nem deve ser evitado. Mudanças são bem vindas, principalmente quando surgem para fortalecer ainda mais uma instituição que é a base do indivíduo na vida social.

Existem também famílias com uma estrutura de pais únicos ou monoparental, tratando-se de uma variação da estrutura nuclear tradicional devido a fenômenos sociais, como o divórcio, óbito, abandono de lar, ilegitimidade ou adoção de crianças por uma só pessoa.

A família ampliada ou consanguínea é outra estrutura, que consiste na família nuclear, mais os parentes diretos ou colaterais, existindo uma extensão das relações entre pais e filhos para avós, pais e netos.

Família punaluana — casamento de várias irmãs, carnais e colaterais, com marido de cada uma das outras e, os irmãos também se casam com as esposas de cada um dos irmãos. Isto é, o grupo de homens eram conjuntamente casado com o grupo de mulheres.
Família sindiásmica ou de casal — o casamento de casais mas sem obrigação de morarem juntos. O casamento existia enquanto ambos desejassem.
Família patriarcal — casamento de um só homem com diversas mulheres. Regime de poligamia (mais de um cônjuge).
Família monogâmica – casamento de duas pessoas, com obrigação de coabitação exclusiva... a fidelidade, o controle do homem sobre a esposa e filhos, a garantia de descendência por consangüinidade e portanto a garantia de herança aos filhos legítimos, isto ë a garantia da propriedade privada. A idéia de propriedade, criar, possuir e regular através de direitos legais sua transmissão hereditária — introduz essa forma de organização familiar.
Para além destas estruturas, existem também as denominadas de famílias alternativas, sendo as famílias comunitárias e as famílias homossexuais. As famílias comunitárias, ao contrário dos sistemas familiares tradicionais, onde a total responsabilidade pela criação e educação das crianças se cinge aos pais e à escola, nestas famílias, o papel dos pais é descentralizado, sendo as crianças da responsabilidade de todos os membros adultos.

Consideraremos, que a família pode se apresentar, grosso modo, sob três formatos básicos: a nuclear (conjugal), a extensa (consangüínea) e a abrangente.
Por família nuclear entenda-se a constituída pelo tripé pai-mãe-Íilhos; por família extensa a que se componha também por outros membros que tenham quaisquer laços de parentesco, e a abrangente a que inclua mesmo os não-parentes que coabitem.
Convencionaremos que doravante sempre que nos referirmos à família, a menos que se particularize a modalidade de agrupamento familiar considerada, o estaremos fazendo tendo em mente seu formato nuclear, prevalente na moderna civilização ocidental, que baliza o cotidiano existencial daqueles a quem se destina este texto.

Família e Classe Social
A maioria dos brasileiros pertence á uma classe social de rendimentos muito baixos, onde que maioria deles enfrenta muitas dificuldades. E geralmente as crianças que não morrem nos primeiro ano de vida, passam fome ou alimentam-se mau. E grandes partes dessas crianças não freqüentam a escola e vão continuar com a situação dos pais, trabalhar e ganhar pouco.
A relação entre classe social e escola é que a escola é feita para crianças que já vivem num clima favorável a amizade. Não é pela competência individual que se selecionam os melhores para prosseguirem os estudos, mais sim a classe social.

Família e personalidadeO indivíduo estrutura sua personalidade a partir do final da infância, quando já pode ter seu próprio sistema de normas e valores, ou seja, uma moral autônoma. Entretanto, esse sistema de normas e valores vai ser estabelecido com base nas experiências infantis, entre as quais uma das mais importantes é o clima psicológico que os pais propiciaram à criança. Geralmente, as atitudes básicas em relação a outras pessoas e em relação à vida, assimiladas na infância, continuam durante toda a vida.
Um exemplo contado por Lindgren, ajudará a esclarecer a questão da influência dos pais:
“Na família Silveira, o ditado ‘As crianças pequenas devem ser vistas e n ouvidas’ foi posto de lado. Quando Mário era um bebê, seus irmãos e irmãs dominavam a conversação à mesa de jantar e, quando ele cresceu o suficiente para participar da conversa, acrescentou sua voz à dos outros. Os pais de Mário às vezes faziam objeções quanto ao barulho, dizendo que o jantar deveria ser um acontecimento calmo, um momento para conhecer o pensamento uns dos outros. Mas nunca fizeram uma tentativa séria para impor silêncio, porque sentiam que era ainda mais importante que as crianças pudessem falar. Quando os filhos atingiram a adolescência e a idade adulta, continuaram a ser indivíduos francos, O próprio Mário teve poucos problemas com a timidez, tão comum durante a adolescência e, animadamente, dominava as reuniões e discussões de classe no ginásio e na faculdade. Por outro lado, os mais velhos freqüentemente se queixavam de que ele não tinha o necessário respeito por pessoas que ocupavam posições de importância e autoridade. Dentre seus professores aqueles que adotavam a discussão em classe gostavam de sua presença na aula, porque sempre se podia contar com ele para manter uma discussão. Os professores que empregavam o método expositivo consideravam-no passível de censuras, porque ele tinha o hábito de interrompê-los com perguntas e comentários,”
O exemplo permite perceber como as atitudes dos pais em reta aos filhos, à mesa, na hora do jantar, influenciaram a maneira dos filhos, em relação às outras pessoas.

O AMOR NO AMBIENTE FAMILIAR

O amor dos pais ou dos adultos é uma condição indispensável para as crianças. Quando os pais amam os filhos, estes desenvolvem atitudes positivas em relação a si mesmos, aos outros e à vida. Os filhos aprendem amar verdadeiramente. Amar a si mesmos, amar aos outros, amar a vida. Não basta falar que si ama. Criança nenhuma se deixa enganar pelas palavras “meu bem”, “meu querido”. Não adianta disfarçar, porque as crianças percebem.
Os pais que se amam tendem também a amar os filhos. Estes se sentem confiantes, seguros, amantes da vida. Amar não significa dar liberdade absoluta. Existem limites para a ação individual, limites estabelecidos pelas ações dos outros. Isto é: eu sou livre mas, o outro também é livre; se vivemos juntos, devemos estabelecer conjuntamente as regras da nossa convivência.

A IMPORTÂNCIA DA PARCERIA ENTRE A ESCOLA E A FAMÍLIAA família reflete os problemas da sociedade bem como a presença ou ausência de valores nos diversos contextos humanos (escola, grupo de pares, associações).

No ambiente escolar existem praticamente existem dois tipos de famílias: aquelas que demonstram interesse pela vida escolar de seus filhos e filhas, integrando-se ao processo educacional e participando ativamente das atividades da escola, sempre que possível, e aquelas que consideram que sua participação é dispensável ou inadequada e preferem simplesmente omitir-se do processo escolar.

Essas comunicações entre família e escola devem ser mais estudadas porque essas duas instituições precisam uma da outra. A interação entre família e escola não deve ser reduzida apenas a reuniões formais e contatos rápidos, mas ocorrer regularmente em momentos de maior intercâmbio nos quais a família pudesse efetivamente participar do cotidiano da escola. É importante salientar que o fracasso ou o sucesso escolar de cada um é influenciado por diversos fatores, sendo o envolvimento da família com a escola apenas um deles, pois também contam a cultura familiar, as oportunidades vividas por estes alunos e alunas.
As expectativas de pais e mães em relação ao futuro são fatores que podem cooperar ou não para que estas crianças e adolescentes estejam motivadas para um bom desempenho escolar. É provável que uma investigação da história de vida escolar dos pais e mães destes alunos e alunas aponte os fatores relacionados com o tipo de relação que esta família desenvolve com a escola e a origem dessas expectativas. Ao que tudo indica, a única forma de superação da situação inquietante na qual se encontra a educação pública brasileira atualmente seria aproximar a escola não só das necessidades das famílias, quanto de sua cultura e dos processos construtivos presentes no desenvolvimento da criança.

É imprescindível que pais e mães estejam em sintonia com a vivência escolar e social de seus filhos e filhas, pois essa integração tende a enriquecer e facilitar o desempenho escolar do aluno. Portanto, é necessário que se habituem a participar da vida escolar dos filhos e filhas. Para isso, uma alternativa viável seria a divisão de responsabilidades entre os sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem. Esta parceria consiste em família e escola caminharem juntas, sendo que cada uma das partes deve ser preservada em suas características próprias. No âmbito escolar, é preciso buscar o envolvimento da família na aprendizagem dos seus filhos e filhas, valorizar e orientar os pais e mães no sentido de incentivar as boas relações com a escola e todos que fazem parte deste ambiente. Essa certeza se evidencia no cotidiano escolar onde são visíveis, por exemplo, os resultados positivos do trabalho com famílias de alunos e alunas com dificuldades de aprendizagem e/ou comportamento inadequado. A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO NA FAMÍLIA
Se olharmos para as estatísticas de separações entre marido e mulher e entre pais e filhos (abondono do
lar), temos que admitir que o perdão não está sendo praticado.
* A crise de perdão na família reflete uma crise conjugal.
A. Uma família não pode subsistir sem perdão, pois invariavelmente vamos errar uns com os outros. O perdão é a possibilidade da convivência.
Todos nós experimentamos ofensas: um amigo que nos trai, um filho ingrato, a parcialidade dos pais, uma palavra áspera, uma acusação falsa, uma data pessoal esquecida, a indiferença para comigo de alguém que me é importante. Perante a ofensa exercemos a escolha. Podemos perdoar ou tomar-nos ressentidos, amar ou odiar, estabececer relacionamentos ou rompê-los.’ A primeira escolha leva-nos á liberdade constante, uma vida de sinceridade e opções . A segunda escolha, inevitavelmente, leva-nos a uma escravidão dentro de nós mesmos. A primeira resulta em crescimento espiritual, a segunda, em amargura. Perdão cura as feridas.
O QUE É O PERDÃO?O perdão não é basicamente uma emoção mas uma decisão! É um ato de minha vontade, não de minhas emoções. O perdão é a decisão de não levantar mais a ofensa perante três pessoas Deus, os outros (incusive o ofensor), e eu mesmo.
Perdão é diferente de absolvição. Absolvição relaciona-se com as consequências da ofensa, enquanto perdão ralaciona-se com a nossa atitude (reação emocional) para com a ofensa e para com o ofensor.
Não há limite para se perdoar. Alguns esclarecimentos sobre o perdão:
A. Perdão é uma reação positiva para com a ofensa, ao invéz de uma reação negativa para com o ofensor. Ofensas são oportunidades para ou perdoar ou ficar amargurado. Uma reação positiva significa olhar aquela ofensa como oportunidade para crescer na vida e/ou para refletir as ualidades de Cristo para com o ofensor.
8. Ao perdoar podemos ver o ofensor como instrumento de Deus em nossa vida. (Gn 50.15-21).
C. O perdão significa cooperar com Deus na vida do ofensor.
D. Ao perdoar reconhecemos o direito que só Deus tem de julgar. (Rm 12.19).
CONSEQUÊNCIAS DA FALTA DE PERDÃO:
Consequências Físicas: amargura prolongada causa alguns efeitos fisicos tais como úlceras, pressão alta, descargas de adrenalina (por causa da associação com a ira) e outras complicações.
Consequências Emocionais: depressão é a maior consequência. Uma amargurar prolongada pode gerar um foco emocional em nossa mente que tira de nós uma grande dose de energia por causa de força que precisamos para manter nossas ‘broncas’ contra aqueles que nos ofenderam.
Consequências Espirituais: nosso relacionamento com Deus é sensivelmente prejudicado, visto que estamos em desobediência à Sua Palavra. (Ef 4.31, Mt 1822,35). Tudo isso aparecerá inevitavelmente no contexto familiar.
COMO PERDOAR:
Decida perdoar. Primeiro vem a obediência e depois o sentimento.
O perdão pode implicar em confrontação.
Motive-se no exemplo de Cristo (Cl 3.13)
Dependa da Sua Graça. (Rapaz crente que perdeu a esposa e o filho baleados e um assalto ao Banco)
Busque o bem do ofensor. Isso significa, no mínimo, oração, mas pode significar muito
mais.

A FAMILIA E OS LIMITES

A história dos limites humanos vem de tempos remotos. Uma fonte segura e verdadeira nos revela de forma simbológica estas fronteiras. Na bíblia fala da história do fruto proibido que não deveria comer fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comerem, morreriam indubitavelmente. Podemos dizer que a partir disso, a situação concreta dos limites tomou conta das nossas vidas.
Somos, neste contexto, como uma ilha cercados de limites por todos os lados. Ao desobedecermos ao limite de velocidade estabelecido para determinada via, estamos sujeitos a uma notificação, porque um foto-sensor nos fotografou na hora do ato delituoso,
Uma família que busca o equilíbrio e a vivência harmoniosa, não pode se eximir da utilização dos limites. Famílias em que os pais deletaram esta palavra do dicionário doméstico, talvez sejam pais que não saibam nem onde moram. Porque a sua própria casa é limitada ao norte, sul, leste e oeste. Família equilibrada é aquela na qual os pais impõem limites, usando de sua autoridade que é inconteste, diante dos filhos.
Os limites são fundamentais. Sem eles as famílias não poderão sobreviver. Funcionam como um freio de mão. Para os jovens adolescentes são terríveis; mas são necessários. E no cumprimento deles que o equilíbrio prevalece. Nunca os deixem de impor aos seus filhos, para que eles saibam diferenciar conscientemente o que vem a ser liberdade e libertinagem.